BURNOUT OU BOREOUT? O TRABALHO PODE ADOECER PELO EXCESSO E TAMBÉM PELA FALTA DE PROPÓSITO
O Setembro Amarelo nos convida a falar sobre saúde mental. E isso também passa pelo ambiente de trabalho.
Nem sempre o sofrimento profissional nasce da sobrecarga. Em alguns casos, ele surge justamente do oposto: da falta de estímulo, de desafios e da sensação de que o trabalho perdeu o sentido.
O burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como fenômeno ocupacional relacionado ao estresse crônico no trabalho que não foi adequadamente administrado. Entre seus principais sinais estão esgotamento, distanciamento emocional do trabalho e redução da sensação de eficácia profissional.
Já o boreout é um conceito associado à subutilização profissional: tarefas excessivamente repetitivas, ausência de desafios, pouca autonomia e longos períodos sem demandas relevantes. Embora não tenha o mesmo reconhecimento classificatório do burnout, pode estar relacionado a sofrimento psíquico, desmotivação e perda da autoestima profissional.
A diferença pode ser resumida assim:
No burnout, o trabalhador sente que não consegue dar conta de tudo.
No boreout, sente que aquilo que faz deixou de ter importância ou sentido.
Por isso, talvez seja mais adequado dizer que o excesso pode adoecer, mas a falta persistente de propósito e estímulo também pode causar sofrimento.
Quando alterações emocionais, ansiedade, insônia, irritabilidade, isolamento ou perda de interesse se tornam frequentes, é importante buscar ajuda profissional.
E, quando houver relação entre o adoecimento e as condições em que o trabalho é realizado, também podem existir repercussões trabalhistas e previdenciárias, que devem ser analisadas individualmente.
Neste Setembro Amarelo, a mensagem permanece simples e necessária:
trabalho não deveria custar a saúde mental de ninguém.
Se houver sofrimento intenso ou pensamentos de morte ou suicídio, o CVV oferece atendimento gratuito pelo telefone 188.
Conheça seus direitos.


